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26 de Julho de 2012 | Entrevistas
A origem do conflito pela terra no sul da América tem suas raízes nos processos ditatoriais que usurparam o poder democrático e entregaram grandes áreas entre particulares vinculados a los distintos regimes cívico-militares. Três décadas depois dos “anos de chumbo”, as exigências das comunidades originárias são respondidas com toda a violência do estado.
Foi o que ocorreu no dia 23 de julho na região chilena da Araucanía onde ocorreu um violento operativo com centenas de policiais para desalojar uma comunidade mapuche de uma área que, apesar de ter sido ancestralmente um território comunitário, fora entregue durante a ditadura de Augusto Pinochet a um cidadão de nacionalidade suíça.
Embora o processo de re-ocupação do território havia sido definido como totalmente pacífico, os policiais não hesitaram em utilizar violência contra a comunidade, deixando como resultado uma dozena de integrantes da comunidades hospitalizados, além de três crianças menores de idade que sofreram feridas de arma de fogo.
Mijael Carbone, porta-voz da Aliança Territorial Mapuche (ATM) contou em diálogo com Rádio Mundo Real os acontecimentos em Temucuicui, sua comunidade: “A violência foi extrema, atiraram indiscriminadamente apesar de que entre os ocupantes havia anciãos, bebês, crianças, mães”, explicou Mijael.
“Essas terras ancestralmente nos pertencem. Em 1973 nossos irmãos viviam nessas terras até que a ditadura tira eles dali e entrega as terras a cidadãos suíços”, contou o líder mapuche que também falou de uma previsível escalada repressiva na zona da Araucanía.
“Somos uma região onde o estado chileno protagonizou os fatos mais violentos e os herdeiros daqueles que alguma vez nos violentaram e ingressaram em nossos territórios, hoje voltam a fazê-lo”, destacou Mijael.
Nenhum órgão oficial chileno nem internacional vinculado aos direitos humanos tinha reagido, até o momento da entrevista, visando proteger a comunidade agredida na segunda-feira passada, segundo o jovem mapuche.
Foto: www.emol.com
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