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13 de Maio de 2011 | Entrevistas | Anti-neoliberalismo | Justiça climática e energia
Na segunda-feira passada nove de maio realizaram-se mobilizações em várias regiões do Chile contra a aprovação da primeira etapa do mega-projeto HidroAysén, que inclui a construção de seis represas na Patagônia. As manifestações foram reprimidas pela polícia, deixando como saldo 150 detidos.
As mobilizações, convocadas por um grande número de organizações que há vários anos se opõem a esse projeto, ocorreram em Santiago, Valparaíso, Temuco, Concepción, Valdivia, Puerto Montt, Talca, La Serrana e, evidentemente, em Coyhaique, capital regional de Aysén, onde se instalariam as barragens e se colocaria uma fiação elétrica nas zonas meia e norte do país.
A essas manifestações acrescentaram-se outras de grupos de estudantes e funcionários públicos, com toma de alguns centros educativos que vai acontecer até o dia 21 de maio, disse a Rádio Mundo Real Víctor Hugo, da organização Jovens Tehuelches.
Víctor Hugo apontou que existe um grande número de conflitos territoriais no Chile tanto por causa de empresas hidrelétricas quanto termoelétricas e mineiras transnacionais, e que as mobilizações contra a aprovação do projeto de HidroAysén marcaram uma pauta quanto à ação social após a ditadura no seu país.
Víctor Hugo descreveu também o vínculo direto entre La Moneda (sede do governo chileno) e as empresas locais e transnacionais que se beneficiam desses projetos.
De fato, segundo Rádio Universidade do Chile, a aprovação de Hidroaysén motivou um grupo de parlamentares convocarem uma comissão investigadora sobre o trabalho das autoridades e do Serviço de Avaliação Ambiental dessa região.
“O Chile está se unindo, e isso que é bom, vemos uma passeata de quinze mil pessoas e nunca tínhamos visto uma mobilização tão grande em defesa do território”, disse Víctor a Rádio Mundo Real.
Por outro lado, o escritor Luis Sepúlveda apontou em carta pública ao presidente Sebastian Piñera: “Em um futuro próximo, um busto seu ocupará um lugar na galeria dos austeros ex-presidentes chilenos, e quando o funcionário da limpeza tirar o pó com um espanador, depende do senhor que esse homem diga com admiração: estou tirando o pó do busto de um ex-presidente que resgatou a Patagônia da destruição, ou que simplesmente passe ao lado e nem queira desempoar a imagem do destruidor de uma das regiões mais bonitas e puras do planeta. Depende do senhor, cidadão Presidente”.
Foto: Patricio Mansilla
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