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8 de Agosto de 2011 | Notícias | Anti-neoliberalismo
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A demanda por uma educação gratuita no Chile mais uma vez está sacudindo o país, como ocorreu em 2006 durante o governo centro-esquerdista de Michele Bachelet. Naquela ocasião, um movimento de estudantes do segundo grau fez com o ministro de Educação renunciasse e arrancou promessas de reforma do governo de Bachelet; hoje, os protestos voltam com mais força ainda, e encurralam o governo do direitista Sebastián Piñera.
Os estudantes querem mudar as bases desiguais do sistema, que permite a educação para aqueles que podem pagá-la, o que é uma herança direta da ditadura de Augusto Pinochet. Por isso, exigem que o Estado garanta a qualidade do ensino e que seja igual para todos.
Os estudantes rejeitam as propostas do governo de Piñera, já que consideram que não buscam soluções de fundo; estas propostas consistem, entre outras, em aumentar os fundos para a educação em quatro bilhões de dólares, melhorar as bolsas de estudo e reduzir as taxas de juros dos empréstimos estudantis administrados pela banca.
Os protestos chegaram a um ponto de inflexão na quinta-feira, quando estudantes e professores organizaram uma mobilização –que não contou com a autorização do governo- e que foi severamente reprimida pela polícia militar, deixando um saldo de 874 presos–muitos deles menores de idade- nos protestos no centro de Santiago e outras cidades chilenas.
Organismos internacionais de direitos humanos consideraram excessivo o uso da polícia montada, canhões d’água e bombas lacrimogêneas para dispersar a mobilização. Um deles foi a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que comunicou ao governo de Piñera sua “preocupação” pelo “uso desproporcionado da força” contra os estudantes durante os protestos.
Mas longe de se sentirem amedrontados pelo uso da força, os manifestantes voltaram a organizar uma nova mobilização, realizada ontem (domingo) em Santiago, reunindo cerca de 20.000 pessoas. A marcha foi convocada pela Coordenadora Metropolitana de Estudantes de Segundo Grau, o Grupo de Padres e Tutores e o Colégio de Professores do Chile.
A mobilização foi bem-sucedida, e os estudantes e professores convocaram uma nova medida de força para esta terça-feira: desta vez será uma greve nacional.
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