2 de febrero de 2009 | Entrevistas | Justicia climática y energía
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O projeto indiano-alemão de dispersão de seis toneladas de pó ferroso em águas internacionais antárticas com a intenção de favorecer a absorção de CO2 por fitoplâncton resume uma antigo desejo das potências industriais de poder “controlar” suas emissões de gases nocivos à atmósfera, transformando em negócio uma aventura pseudocientífica.
Tem mais: existem antecedentes disto na década de ’30 do século passado. No entanto, não existem pesquisas exaustivas sobre as consequências ecológicas e ecossistêmicas deste tipo de “experimento” disse à Rádio Mundo Real Oscar Galli, biólogo marinho e integrante de Redes - Amigos da Terra Uruguai.
“O primeiro promotor deste tipo de experiências tem sido os Estados Unidos e os antecedentes chegam até 1933 nas tentativas de modificar o mar com curtinas de sulfato de ferro”, disse Galli. Desde então até agora têm se registrado pelo menos dez tentativas em vários países deste tipo de experiência.
Alemanha e Índia concordaram em levar adiante este projeto que atingiria cerca de 300 quilômetros quadrados do Oceano Antártico com pó de ferro, o que favoreceria a absorção de CO2 por parte de algas superficiais as quais teoricamente afundariam reduzindo o volume deste gás, que causa o efeito estufa.
Galli indica que existe uma moratória para este tipo de experimentos de fertilização em 192 países que não vem sendo respeitada e destacou o interesse geopolítico da “aliança” entre uma potência emergente como a Índia e uma plenamente industrializada como Alemanha.
“Aparentemente o Ministro Federal de Meio Ambiente da Alemanha (Sigmar Gabriel), está objetando este experimento, mas os psequisadores e as empresas que os promovem caso omisso dessas advertências e se apóiam no aval do governo federal”, disse Galli em diálogo com Rádio Mundo Real.
Galli destacou ainda que este experimento estaria promovendo a queima de mais e mais combustíveis fósseis, com a consequente liberação de anhídrido carbônico à atmosfera e o aquecimento global, além de prejudicar seriamente os ecossistemas marinhos.
“O diretor executivo da empresa Planktos Inc., Russ George, tem admitido que se trata dos experimentos comerciais, de negócios, sem uma finalidade científica”, disse Galli. De fato, em 2007 enquanto o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) -principal grupo científico da ONU na questão- critica o conceito da geo-engenharia, Planktos Inc. anunciou estar pronta para descarregar várias toneladas de partículas minúsculas nas águas ao redor das Ilhas Galápagos, cubrindo uma área maior do que o Porto Rico e provocando protestos.
“Deve-se tomar isto como o que é: uma tentativa de continuar especulando, por continuar fomentando a compra do direito a contaminar”, sintetizou o científico uruguaio.
Imagen: Foto: http://www.adn.es/
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