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18 de Janeiro de 2011 | Notícias | Honduras Livre | Direitos humanos | Lutadores sociais em risco
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Na sexta-feira passada , diante de repetidas ameaças recebidas, os integrantes da rádio comunitária garífuna Faluma Bimetu (Coco Doce) da comunidade hondurenha de Triunfo de la Cruz, foram forçados a fechar temporariamente a emissora, já que corriam o risco de que fosse incendiada novamente.
Foi o que anunciou em um comunicado a Organização Fraternal Negra Hondurenha (OFRANEH), e também a Associação Mundial de Rádios Comunitárias para América Latina e o Caribe (AMARC ALC) tem se pronunciado, exigindo que o Estado hondurenho garanta o fim das agressões contra as rádios comunitárias nesse país e que tome as ações necessárias para que a rádio Faluma Bimetu possa reiniciar suas transmissões.
Em janeiro de 2010, a emissora garífuna havia sido incendiada por desconhecidos, num fato que até agora permanece sem esclarecimento pelas autoridades. Nessa ocasião, as perdas materiais provocadas pelo incêndio fizeram com que a rádio comunitária estivesse fora do ar durante um mês, voltando graças aos apoios que recebeu para sua reconstrução.
“As rádios comunitárias de Honduras, a partir do golpe de Estado [cometido 28 de junho de 2009], vêm sofrendo perseguição constante, já que quebram a barreira informativa imposta ao povo hondurenho, por essa pequena minoria que está saqueando o país, e impede qualquer transformação que prejudique seus interesses e incentive o povo a exigir seus direitos”, indica o comunicado da OFRANEH.
Ainda segundo o comunicado: “No caso de Triunfo de la Cruz, são os interesses dos empresários turísticos e a Municipalidade de Tela, que através do empresário [e prefeito] David Zaccaro, vêm semeando a divisão para poder continuar com as vendas ilegais de terras comunitárias, favorecendo os interesses da elite de poder, que promove mega-projetos turísticos na Bahía de Tela”.
A rádio Faluma Bimetu tem sido uma voz ativa na denúncia desta situação, onde pretende-se desalojar os moradores para favorecer o mega turismo, defendendo os direitos sobre o território das comunidades garífunas. Isto tem feito com que a emissora esteja entre os objetivos do grupo paramilitar auto-denominado “os ninjas”, que estão à serviço dos grandes interesses do turismo.
As agressões a Faluma Bimetu não são um fato isolado, já que fazem parte de uma política de fustigamento contra as rádios comunitárias por não responderem à linha seguida pelas mídias tradicionais, que apoiam o governo que as organizações sociais consideram ilegítimo e continuador da ditadura.
“Existe um claro monopólio das mídias no país, que são propriedade de pouquíssimas pessoas, e que estão vinculadas em sua maioria ao golpe de Estado de 2009. As rádios comunitárias são um produto de um grande esforço, que surgem com o objetivo de proporcionar informação veraz e assim romper com a docilidade e o servilismo promovidos pelas mídias da elite de poder”, resume o comunicado da OFRANEH.
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