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23 de Agosto de 2010 | Notícias | Anti-neoliberalismo | Direitos humanos
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Ainda em plena crise econômica e com duas frentes bélicas muito ativas, o Pentágono estadunidense não descansa: neste mês lidera junto a uma dúzia e meia de países, manobras militares na zona do Canal do Panamá sob a hipótese de uma “ameaça camponesa ao comércio mundial”. Ao mesmo tempo, continua havendo uma grande quantidade de marines em territorio haitiano, e desembarcam sem permissão legislativa na Colômbia e na Costa Rica.
Conforme a agência de notícias France Press (AFP), e o Comando Sul dos EUA, Washington inaugurou no dia 18, um conjunto de “exercícios militares” nas imediações da vía aquática, recentemente retribuída à soberania panamenha. Os exercícios incluem 15 países latino-americanos, além do Canadá e EUA.
Conforme veículos panamenhos, o governo de Ricardo Martinelli não informou ao Parlamento em tempo e forma sobre estas manobras, nas que estão participando oficiais navais de outros países da região, dentre eles Argentina, Brasil, Chile e México. Inclusive, estão envolvidos elementos das forças armadas do Equador, Nicarágua e El Salvador.
Conforme porta-vozes, a mobilização militar tem como objetivo “coordenar respostas a uma eventual ameaça ao Canal do Panamá ou perante desastres naturais”.
Quem está dirigindo a atividade é a Segunda Frota dos EUA, uma divisão da marinha, que é acusada de estar pronta para intervir em conflitos internos no espaço geopolítico latino-americano, considerado legendariamente por Washington como seu “quintal”.
Mesmo que “fictícias”, as “hipóteses de conflito” não são escolhidas por acaso. Há um mês, por exemplo, o governo panamenho acusou de “terroristas” às pessoas que estavam trabalhando na ampliação do Canal, e que protestavam contra os baixos salários.
O exercício, denominado PANAMAX 2010, pretende “melhorar as capacidades terrestres, navais, aéreas e de forças especiais dos 15 países da região participantes”, conforme o discurso oficial. Acrescentam que nestas manobras participam cerca de dois mil soldados em território colombiano, hondurenho e panamenho.
Ameaça camponesa
Nos exercícios simula-se que uma “organização terrorista, composta principalmente por camponeses, que procura tomar o controle de governos para desestabilizar países e a economia global”, pretende atacar o Canal do Panamá.
Diante desta hipotética ameaça, o Panamá pede ajuda às Nações Unidas, cujo Conselho de Segurança envia uma resolução que, por acaso, ordena que os Estados Unidos liderem uma força multinacional para proteger a via interoceânica pela que circula 5 porcento do comércio mundial.
Venezuela, Bolívia, Costa Rica, Cuba e Haiti são as exceções de países latino-americanos que não participam destas manobras militares.
Nos exercícios estarão como espectadores de luxo 42 representantes de 13 países no quartel da Segunda Frota da Armada em Norfolk, Virginia, território dos EUA.
Em 2008, durante manobras similares, morreu um policial panamenho num caso que foi considerado um “descuido” das autoridades.
Os EUA fazem este tipo de manobras militares conjuntas desde a década de 1950 como parte de seus preparativos para enfrentar a União Soviética na guerra fria. Posteriormente, nas décadas de 1970 e 1980 apoiava as ditaduras militares na região facilitando tecnologia repressiva de ponta.
Atualmente, o governo norte-americano não explica quais objetivos persegue financiando e organizando as manobras militares.
As “hipóteses de conflito” mudam, em sintonia com o momento histórico.
Colômbia, Haiti e “Cartas de Iwo Jima”
Porém, os “movimentos” militares norte-americanos na América Latina parecem ir contra a vontade dos Parlamentos: na semana passada, a Corte Constitucional Colombiana objetou o acordo pelo qual Bogotá abriu as portas das sete bases militares nesse país.
O tribunal considerou que o pacto militar era um tratado internacional e assim deveria contar com aprovação legislativa.
A isto deve se acrescentar que a ingente ocupação militar estadunidense do Haití, sob o pretexto de colaborar em sua reconstrução após o terremoto de janeiro deste ano.
Simultaneamente, outra manobra menos criativa mas significativa começou dias atrás na Costa Rica. O porta-helicópteros LHD-7 “Iwo Jima” atracou na sexta-feira no porto caribenho de Limón, uma das zonas mais pobres da Costa Rica.
Conforme a agência européia cerca de 100 infantes de marinha estadunidenses desenvolverão trabalhos de construção e reparação de escolas e consultórios de cidades e aldeias costa-riquenhas e jogarão um partido de beisebol com uma equipo desta região onde se concentra a população negra da Costa Rica.
O Iwo Jima, participou em 2003 em missões muito menos “humanitárias” na guerra no Iraque.
Hoje faz parte da missão norte-americana "Promessa Continua 2010", comandada pelo comodoro Thoman Negus e que também inclui Haiti, Colômbia, Guatemala, Guiana, Nicarágua, Panamá e Suriname.
Diante do repúdio pela presença deste barco, a embaixadora norte-americana no país tico tem insistido em que a única “invasão” que verão os costa-riquenhos com a chegada de Iwo Jima será de “trabalhadores humanitários (...) para levar ajuda e desenvolvimento à província de Limón”.
O prefeito de Limón, Eduardo Barboza, deu as boas-vindas à missão dizendo: “fazem nos sentir muito importantes” (sic).
FOTO: http://noticias.com.gt
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